domingo, 8 de junho de 2008

Versinho Solitário I

"Em nossos caminhos há pessoas;
Pessoas que vem, pessoas que vão.
Há pessoas que passam, e outras que não.
Há pessoas que ficam, e pessoas que nunca vieram,
Há pessoas em nossos caminhos que passam despercebidas,
E há pessoas que em um dia mudam as nossas vidas."


Kuromi Markgraf

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Curtas - I

Seus olhos comem a minha consciência, uma mordida por vez, degustando vagarosamente e sentindo o sabor de minha vida, deitados no conforto de minha memória. Iluminam o chão em que piso e me acolhem por alguns minutos em suas íris de tal amplitude e profundidade, no mundo em que escondem, no qual eu desejo deveras viver. E então de súbito volto ao meu corpo, tocado pela realidade e arrastado pela sanidade. É neste momento que percebo que seus olhos não estão sob o meu alcance, então eu me calo e tento esquecer a solidão.

Kuromi Markgraf

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Estou com medo!

Minha palavras são coisas tão utópicas e incompreensíveis. Perigosas.
Tenho medo de assustá-los com a minha loucura aparente e latente. Com base em meus vicios esmaecidos e inuteis.
Tenho medo de dizer tudo o que eu penso e tudo o que eu vejo e acabar por assim estar, só e solitária outra vez. Apenas escrevendo coisas para mim, e para os meus amigos invisiveis.
Tenho medo de dizer tudo sobre mim e amedrontar o mundo lá fora, medo de ser um mutante imbecil.
Medo de ser jogada em uma gaveta e deixada lá, para todo o meu sempre.
Tenho medo da sua leitura, e da sua interpretação, medo do seu entendimento. Eu tenho medo da sua aptidão em ler as entrelinhas.Minhas escrituras
Tenho medo de que as minhas palavras construam um mundo morbido e sonhador ao seu redor, e então você prefira ir embora para a casa.
Tenho medo de escrever sua vida, e mais ainda de escrever a minha vida.
Peças de um quebra-cabeça, palavras de um livro, o significado da escrita.
Minha mente me induz a dizer coisas completamente insanas, coisas de um mundo diferente do que chamamos de Terra. Minha imaginação constroi imagens apartir de palavras jogadas ao vento, jogadas à brisa ao relento.
Meus dedos, minhas mãos, meus pulsos, meu sangue, meu coração... Apenas palavras!
Um aperto do lado esquerdo do peito, um arrepio transgênico como se minha alma de súbito abandonasse a minha carne às aves de rapina. O ar pesado como se a terra pesasse sobre o meu peito, me esmagando sob o solo deste mundo, sob os pés daqueles que se dizem vivos como eu.
Morte e Vida!
Abrindo os olhos e vendo que na verdade tudo aquilo foi apenas um momento de satisfação. O exato segundo em que cheguei ao ápice de minha realizações, ou ainda ao cume da presença. Apenas um sórdido olhar repentino sob meus atos incredulos da realização dos sonhos mais estimados. Um vínculo com um olhar concorrente num mundo de pessoas com caminhos paralelos. A cadeia da liberdade, que nos prende ao livre arbitrio e nos fixa às escolhas únicas. Suspiros incontidos refletidos em sentimentos desconhecidos que nunca foram assumidos diante ao brilhos das estrelas. Apenas um segundo ou dois, e o tempo perde todo o seu significado, basta o menor contato das faces para que um segundo perca a finutude fútil de seu tempo insignificante diante a tantas outras coisas na vida. Um segundo que dura mais que almas com o fulgor de estrelas jovens e dintantes da morte terráquea. Uma palavra, e o mundo se desmaterializa atrás da cena principal. Duas palavras e nem importa se existe de fato um Universo infito lá fora. Três palavras e eu cumpro a minha missão, e então nada mais tem valor. As unicas coisas que existem são as palavras deitadas em seu ombro direito, e olhares eternamente concorrentes entre nós que nunca nos separam, apenas nos unem.
Três palavras exatas!
Quatro palavras e minha missão falhou. Encarei o brilho das estrelas e a intutilidade do mundo, manti minha boca entreaberta e tomei para mim o fôlego necessário, e hesitei.
Quatro palavras, incapacidade!
"Eu vejo gente morta!"



Kuromi Markgraf

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Um... Dois... Três...

Um... Dois... Três...
Pode parecer loucura, mas é assim que é.
Nada faz tanto sentido quando você está longe.
E quando você está perto, não me importa o sentido de nada.
Afinal, você está ali, então está tudo bem.
Para que eu iria querer encontrar o sentido das coisas, se quando estou vivendo o melhor dos momentos de minha vida, o sentido se perde em meio aos meus sentimentos.
As palavras pulam dos lábios e fazem o caminho que desejam.
Felicidade; Gosto disto.
Você pode não entender, mas eu bem que estou tentando explicar.
Não tem nada além da inconsciencia.
E se tem, eu não sei o que tem nisso.
É simples: o sentido da vida não tem tanto sentido assim.
E eu não temo coisa alguma ao saber disto.
Isto é, se você viver ao meu lado, eu não me importaria.
A presença ou a falta de sentido nas coisas se perdem em você.
Quando você me abraça a vida é apenas tudo isto aqui.
Porque é abraçando você que eu percebo que meus pés tocam o chão.
Se você segurasse a minha mão, não importaria para onde a minha vida me levasse.
Se você continuasse segurando minha mão sempre, todo lugar seria um bom lugar.
As pessoas procuram o sentido das coisas, e mal sabem elas que as coisas não tem sentido nenhum.
Tanto faz, ter ou não ter, continuam sendo o que são.
Sentido, se vem ou se vão.
Para lá ou para cá, isto é direção.
Isto sim é importante.
Não importa o caminho que tome, você sabe onde quer chegar.
E se sabe onde quer chegar, você vai chegar lá.
Não adianta procurar o sentido das coisas que eu falo, elas não fazem sentido algum.
Na verdade o que realmente não tem sentido é procurar o sentido nas coisas.
Para quê?
Se você acha que tem, então vai ter.
Se você acha que não tem, nem adianta procurar.
Na verdade o que eu estou tentando dizer é que não importa muito o que cerca você.
Se você tem uma pessoa em quem possa confiar em todos os momentos de sua vida, você estará sempre bem.
Porque tê-la ao seu lado, isto faz sentido.
Pode não fazer sentido para muita gente, mas se faz para você, é o que conta!
E gostar de você, isto tem muito sentido para mim.
Se não for você o própio Sentido.
Não importa o sentido, e sim o que me faz sentir.
Um... Dois... Três...




Kuromi Markgraf

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Garoto do Pátio da Escola

Meus vicios me ocultam atrás das horas perdidas e dos rémedios para o sono quase eterno. Meus cantos me acolhem como amigos compreensivos que me esperam sempre. Minhas mãos escondem o meu rosto sujo de lágrimas cristalinas que ninguém quer ver. Meu pés fazem o caminho por sí própios, não adianta tentar transparecer. A vida nessa escola é pacata, a vida nessa escola é vazia.


Aquelas paredes me dizem coisas sobre um passado feliz e sobre um passado triste. Elas me mostram as lágrimas que você enxugou ao me encontrar quieta e muda, tentando de toda forma entrar para dentro de mim, e sumir.
Aquelas paredes me dizem coisas sobre uma perda insubstituivel, sobre olhares incontidos, sobre o medo e sobre o seu silêncio. E aquelas paredes me dizem coisas sobre um garoto me puxando e me pedindo para falar, e sobre um lição de moral, sobre arrependimento e sobre mudança. Aquelas mesmas paredes me dizem coisas sobre perdão!
Aquelas outras paredes logo ali, me dizem coisas sobre um abraço impulsivo e proporcionado pela força da saudade. Aquelas paredes me dizem coisas sobre como segurar uma mão e sobre como me sentir bem. Aquelas paredes me dizem coisas sobre um "cantor" que cantava e olhava para mim, e eu quase morria envergonhada. Aquelas paredes me dizem coisas sobre fotos e sobre pessoas pulando e gritando algo como um grito de guerra.
Aquelas paredes me dizem coisas sobre um garoto concentrado nos seus estudos, falando sozinho e perguntando tantas coisas a sí própio. Aquelas paredes me dizem coisas sobre uma carta que tinha de ser passada a limpo, e sobre um frio na barriga. Aquelas paredes me dizem coisas sobre esperas depois da prova.
Aquelas paredes me dizem coisas sobre uma confusão, sobre um boato, e sobre uma fuga para o banheiro devido a uma aula ruim. Aquelas paredes me dizem coisas sobre um garoto que ia sempre me buscar para conversar. Aquelas paredes me dizem coisas sobre uma tarde atarefada, subindo e descendo escadas, correndo atrás de taxinhas e figuras impressas em papeis sulfite.
Aquelas paredes me dizem coisas sobre o último dia de aula e também sobre a minha repentina invasão ao banheiro masculino. Me dizem também coisas sobre pessoas molhadas, umas felizes outras tristes, e dizem coisas sobre um fixa caindo. Me dizem coisas sobre um bolo de chocolate em dívida e videos gravados pelo celular. Me dizem coisas sobre um abraço estranho depois do último dia de aula.
E aquelas paredes bem ali no canto, me dizem coisas sobre a contagem regressiva, sobre lágrimas e sobre um garoto me abraçando e dizendo que iria ficar tudo bem. Que iria ficar tudo bem!


Aquele garoto, que estava sempre no pátio da escola, sempre perto de mim, sempre tão perto de mim. Aquele garoto continua comigo, mas tão longe.
Aquele pátio anda tão vazio, tão frio, tão remoto, esvaecido, inerte... Morto!


Quem diria que quem realmente fazia o pátio ser o que foi, era você. Sei que me acha louca, e que leio bobagens e depois fico tendo atitudes preciptadas. Sei também que acha que tudo o que eu escrevo é apenas uma forma de contar para todos como me sinto, ou apenas para mim mesma, ou para você. Sei que sempre vou ter algum defeito para que você aponte, e sempre um motivo para que eu o concerte. Sei que vou sempre ser essa garota viciada em minha falta de auto-estima e sempre sentada no chão, porque quer que seja.
Sei que eu não vou conseguir dizer aquilo que tanto quero a você tão cedo, e você não fará tanta questão. Sei que minhas manias para você são graça, e suas manias para mim são pedras preciosas. Sei que nada do que eu digo faz sentido, se é que há sentido nas coisas que digo.
Sei que eu não sou prioridade em sua vida, talvez nem queira ser; ler algumas palavras de sua autoria já me fazem feliz por uma semana inteira.
Sei que minha felicidade é estranha, e minha tristeza é chata. Sei que que as minhas palavras são repetidas e minhas metáforas são idiotas. Meus textos nuncam passam disso, e meu diário é perda de tempo.
Sei de tanta coisa, mas não consigo deixar de ser eu mesma com você. Apenas eu mesma.


Você vai dormir e eu fico acordada pensando em qual terá sido a última coisa em que pensou, e se já terá dormido. E eu durmo agradecendo "Obrigada, obrigada!", meu mantra de ninar, e ainda sim tão sincero.


Este, como todos os outros, será um monte de palavras que você não entenderá muita coisa, mas eu entendo. E para mim elas são necessárias; como seus abraços e seus beijos de despedida em meu rosto, como seu cheiro e o seu ombro, como suas mãos e os seus olhos. Como você e como eu mesma. Coisas que se fizeram necessárias com o passar do tempo.
Eu sei que não são todos os sentimentos como este que duram para toda um vida. E é porisso que eu gosto tanto de senti-lo todos os dias, como um perfume empregnado em sua roupa favorita, que você não sabe quando vai senti-lo outra vez. Não apenas o perfume, mas a mistura perfeita do perfume e daquele cheiro único. Tenho sim medo que acabe, mas não tenho medo de cair. Pois das quedas vêm a necessidade de se reerguer, assim como é com espinhos no dedos que se rouba uma rosa.


Um dia, meu garoto, eu lhe digo tudo de uma vez; aquela coisa que os poetas gostam de escrever.
Um dia, meu garoto, você vai acordar e vai lembrar das minhas palavras e vai sorrir involuntariamente, e então rir de si mesmo por se surpreender.
Um dia, meu garoto, você vai ver, que os meus olhos dizem mais coisas do que consegue enxergar.
Um dia, meu garoto, estaremos nós; eu e você, juntos naquele pátio denovo. Apenas olhando e escutando o que aquelas paredes tem para nos dizer.
Um dia, meu garoto, você vai me abraçar e vai ver o como eu meu sinto bem ali, em você.
Um dia, meu garoto, eu vou tentar mais uma vez; vou olhar no fundo dos seus olhos abrir os meus lábios, balbuciar qualquer coisa e rir. E você vai entender tudo o que eu queria lhe dizer.


Para muitos, ou ainda para todos, aquelas paredes nunca vão passar de tijolos empilhados, e o pátio apenas um lugar para esticar as pernas depois das aulas chatas.
Mas para mim aquelas paredes são páginas de um livro, escrito por mim e por você. Páginas repletas e cheias de lembranças. E aquele pátio é o ponto de partida.
Os tijolos podem vir ao chão, e o pátio partir-se ao meio; as lembranças permanecerão.

E por mais que o tempo tente apagar tudo, o cara que estava sempre naquele pátio, e que sempre me salvou da solidão dos cantos mais remotos da escola; aquele garoto do pátio, será sempre você.
Uma vez escrito, para sempre escrito.


Verba volanti; Script Manent, do latim, as palavras voam; a escrita permanece.


E tudo isto está escrito em mim!


Kuromi Markgraf

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Sem idéias hoje! T__T'

Não tenho a minima ideia de sobre o que escrever.
Bem eu não sou uma maquina de escrever bonito, eu sou humano também!
Eu não pretendia falar sobre mim não, mas eu não tenho nada para dizer.

Meu nome eu disconheço, mas o meu criptônimo é Kuromi Markgraf, e tenho 16 anos.
Moro no Reino de Peluctia onde o meu mestre Sir Wollot é Marquês, sim, Marquês de Peluctia.
Ele é como o meu professor, ele que me ensinou tudo o que eu sei, a ele eu devo a minha própia vida, pois ele um dia salvou a minha.

Gosto de ler sob a antiga árvore do penhasco, que dizem ser mágica. Eu nunca vi nada, ela para mim é apenas diferente; Seu tronco e seus galhos são vinho ou um rosa bem escuro, suas folhas são lilás e as flores são roxas. O céu sobre o penhasco é amarelo durante o dia, e dourado durante a noite. A graminea ao seu redor é levemente azulada. Adimito o lugar é maravilhoso, mas nunca vi nenhuma "magica" que dizem que ela é capaz de fazer. Todo o Reino de Peluctia e o Vale do Rio Thunderbräwsk é perfumado pelas suas flores, e que cheiro maravilhoso. Dizem que ela dá frutos, mas devido a um motivo oculto ela deixou de produzir a especie de cereja mais perfeita e deliciosa que se pode imaginar, na verdade dizem ter sido a melhor fruta que já provaram.

Outra coisa que prezo muito é brincar com o meu sapo de estimação, que eu chamo de Lorde Sapo. Sou tão ligada a ele que posso ouvi-lo falando comigo, e é porisso que me acham uma garota esnobe. eu deveria estar nas aulas de ballet, piano e violino. E ao invéz disso eu brinco com o meu sapo.

E quando tenho tempo e algo decente para postar, eu venho até aqui. Mas não é sempre que eu tenho esse tempo, e tão pouco o prazer de ter algo para postar.

Aos que comentaram e não tiveram uma resposta ainda, me perdoe!
Mas eu responderei a todos, é que eu sou um pouco lerda mesmo!

Acho que já me conhecem o suficente, não há muito para saber sobre mim.
Pois bem, que todos fiquem com Deus.
Grata por todos que lêem e comentam em meu Blog pacato.


Kissu ;**

Sayounara!


Kuromi Markgraf

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Vamos acabar com isso! ¬¬'

Sinceramente eu não deveria ter criado a postagem anterior.
Se bem que vocês não sabem o meu nome(eu acho!).
Certo, vamos acabar com isto de uma vez!
(embora sempre tenha uma história depois do fim... o fato é que eu mais uma vez comecei pelo lugar errado)
*idéias à mil*


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A Rainha Lucy mal conseguia olhá-lo nos olhos, se concentrava apenas no corpo gélido de seu amado, Sir Peter Markgraf. O Cavaleiro insistiu:

"Lucy, por favor, olhe para mim! Sou eu... Edmundo!"

Edmundo, esse nome lhe soou como uma bomba, ela ficou congelada com os lábios na testa de Peter, ou do que havia sobrado dele.

"Lucy?! Por favor, fale comigo! Não temos muito tempo, eu..." - foi interrompido pela voz fraca de Lucy.

"Onde foi que você esteve quando mais precisei? E porque resolveu voltar justo agora?" - Seus olhos estavam morrendo aos poucos.

"Lucy... Eu tive medo! Medo da guerra, eu não queria morrer, eu fugi! Eu ia voltar para te buscar mas..."

"Você não voltou, não importa mais!"

"Se estou aqui? Lucy, Eu... Te amo, eu te amei o tempo todo!"

"Não Edmundo, você foi egoísta! Você me permitiu acreditar que você havia morrido sendo que eu te amava. Eu tentei tirar a minha vida, e não havia faca ou lâmina que cortasse o meu pulso, ou penetrasse a minha carne. Eu te odiei Edmundo, eu te odiei. Você morreu e me deixou sozinha reinando em um reino que não me pertence. Cuidando de súditos que não eram meus, você m..." - A dor aumentava, seu tempo era contado. - "Está vendo este cadaver entre o meus braços? Ele me acolheu quando eu não tinha ninguém, e me encontrou quando eu me escondi do mundo. Este é Peter Markgraf, o homem que me amou de verdade! É a ele quem eu amo!" - Um longo suspiro. Força Lucy, força! - "Eu senti a sua falta, senti muito a sua falta. Eu amei você ,Edmundo, e pensei ter me amado também, mas você não o fez!"

"Claro que eu..." - Tentou argumentar

"Chega, Edmundo, chega!" - O interrompendo mais uma vez - "Agora é a minha vez de falar; a primeira e última! Eu não amo você! Mas eu lhe desejo toda a felicidade do mundo, o reino é seu denovo. E que haja justiça nesta terra; que você venha a sentir a minha falta assim como eu senti a sua. E que saiba que o seu egoismo e sua covardia o amaldiçoou, desde que virou as costas para mim, os seus dias assim como muitos dos meus se tornaram malditos. E que assim como eu, encontre um forma de reverter isto."

"Eu sinto..."

"Você não sentiu nem a metade ainda! O homem que amo morreu, eu estou morrendo... os malditos segundos, um a um. Meu tempo se esvai junto com o meu sangue... Eles a levaram, Edmundo. Minha flôr! Eles a levaram!"

"Levaram o que, Lucy? O quê?" - Indagou apavorado, segurando Lucy pelos ombros.

"Minha Flôr!" - Os ultimos segundos escorriam de seus olhos - "Acabou meu tempo!"

"Lucy, por favor, diga-me apenas mais uma vez que me amou! Diga-me que você me amou!" - Suplicou quase aos prantos.

De súbito um brilho voltou aos olhos de Lucy, ela o olhou no fundo dos olhos e balbuciou suas ultimas palavras:

"Eu não amo você, Edmundo! Adeus!" - E fechou os olhos para a vida, e os abriu para a morte.

Edmundo abandonou o corpo de Lucy ali mesmo à relva, e gritou, gritou tanto e tão alto que se se podia escutar de longe. Dizem ter sido o grito mais doloroso que já ouviram. Um grito que era capaz de doer toda a alma, todo o corpo só de ouvi-lo. Um grito de dor, de sangue, de arrependimento. E foi ali, naquele momento, naquele brado de dor que Edmundo sentiu na pele o significado de "Tarde demais".


Fim
(Embora sabendo que sempre há uma outra história depois do fim)



Kuromi Markgraf

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Falta de inspiração

"Peter... Peter!" - Tentando inutilmente o chamar de volta para a vida.

Virou-se com os olhos famintos de respostas, encarando-a. Fitou-a por um instante; Olhos rasgados e azuis, cabelos lisos e muito negros. Os homens atrás dela, todos de preto, seguravam suas espadas como quem tem em mãos a decisão entre a vida e a morte. Ela se vestia como um deles, como um homem. Mas diferente destes segurava sua espada como quem segura a própia alma, a própia vida e a própia morte. Ela se aproximou se Lucy e olhou dentro dos seus olhos.

"Por que tudo isso?" - indagou Lucy

Lucy sentia os olhos daquela criatura invadindo seus olhos e penetrando em sua alma. E com os olhos dentro dos de Lucy, segurou-na pelo queijo e levou seu rosto bem perto do dela e sussurrou sem desviar o olhar:

"Vossa Majestade, Lucy Morghan Baudelaire, é para o seu própio bem!" - E a espada ,com o gume perfeitamente afiado, daquela mulher de preto penetrou a carne de Lucy, transpassando seu estomago até sumir-se quase por inteira. A lâmina que em um momento estava limpida, no outro estava suja com o sangue mais vermelho que se pode imaginar.

"Watashi wa Ryuu desu... Doo itashimate" - Tirou da faixa amarrada em sua cintura um pano, limpou a sua espada e atirou o pano ao chão. Foi então que um vulto avançou com fúria em direção à Ryuu. Ela desviou-se com uma facilidade absurda. Ele olhou-na com ira:
"Como pôde?" - Disse o Cavaleiro Branco como se usa-se suas palavras para atingi-la brutalmente. Apanhou sua espada da bainha e foi com toda o seu ódio rumo à assassina de Lucy Morghan Baudelaire.

Ryuu, com um só golpe, atirou-o no chão desprovido de sua espada. A ponta de sua espada rente ao pescoço do 'Invensível Cavaleiro Branco'; que era como o chamavam até então. O Cavaleiro assustado com a repentina derrota olhava para a Katana logo abaixo de seu queixo. A assassina ordenou aos seus guerreiros negros:

"Peguem-na, está na carruagem!" - Rapidamente os homens colocaram a katana na saya(bainha), e retiraram da carruagem real um bolo de panos. estavam pronto para partirem.

"Não poderei ficar para um duelo mortal... Gomenassai! - Com a própia espada retirou a máscara que escondia o rosto do ser rendido ao chão. Abaixou-se, ajoelhou-se sobre o peito do Cavaleiro e segurou o seu rosto. E com a ponta da Katana fez um risco no olho esquerdo do Cavaleiro Branco, desde um pouco acima da sobrancelha, passando pela pálpebra e terminando só na maçã do rosto.

"Sugiro, Cavaleiro Branco, que mostre o seu verdadeiro rosto antes que ela morra! Eu sabia que apareceria, porisso eu dei a ela uma morte lenta. Caso contrário ela partiria pensando que você morreu!" - sussurrou sem tirar a Katana da ameaça mortal.

Levantou-se com um graça angelical e heróica, guardou a sua espada e despediu-se:
"Sayounara!" - E logo em seguida, desapareu com seus homens e o monte de panos no meio das árvores.


O Cavaleiro ,com um risco de sangue sobre um dos olhos, olhou para Lucy; pálida como nunca, abraçada a Peter, morrendo um segundo de cada vez. Ele se levantou e foi até ela, caiu de joelhos diante dela, e Lucy nem o percebia.
"Lucy..." - disse ele - "Sou eu!"



Continua...





Kuromi Markgraf

domingo, 27 de janeiro de 2008

Lembranças

Um dia eu cheguei em casa e deitei na minha cama, olhei para o teto um pouco perplexa com tudo o que tinha acontecido. E comecei a refletir sobre o meu dia, lembrar de tudo o que havia acontecido neste. Achei estranho ao lembrar de coisas que não aconteceram, mas nada que me preocupasse.
Parece que isto piorou!
Eu não só lembro, e com uma realidade, como sinto acontecendo.
Como se eu tivesse realmente uma realidade irreal, na qual ocorrem as coisas que eu gostaria que ocorressem. E essa realidade irreal se soma ao que sabemos ser de fato real, e eu confundo tudo. Mas eu sinto o irreal tanto quanto sinto o real. Eu sei que é estranho, se não fosse eu não estaria aqui.

Você já tentou contar uma coisa de extrema importancia para alguém, sabia exatamente como dizer, o que dizer, sabia até como e quando respirar para pronuciar as palavras desejadas, mas na hora em que você ia dizer, as palavras travavam na sua boca e você não conseguia, já lhe aconteceu isto?
É estranho, eu sabia o que dizer, e que precisava dizer, eu queria dizer, mas eu não consegui!
E por quê?

Talvez porque eu não estivesse preparada. Ou porque ainda não fosse verdade, mas para mim parece a maior verdade que em mim há. Vai ver apenas não era o tempo certo, e nem o lugar certo. Tantas possibilidades, nenhuma certeza.
O fato é que eu senti as palavras saindo dos meus lábios e caindo sobre os ombros dele, e eu vi estas mesmas palavras surrando ao pé de seu ouvido, e eu senti os olhos dele mudarem. Os olhos dele nunca estiveram tão dentro dos meus antes, ou será que foi o contrário?
Eu sinto aquela faca afiada saindo vagarosamente do meu peito, eu sinto o ar pesando em meus pulmões. Eu não disse aquelas palavras, mas eu lembro de tê-las dito.
Parece que ele ainda está me abraçando, e parece que ele nunca foi embora e que nunca há de ir. Parece que eu estou com ele, e ele comigo. Eu me lembro perfeitamente, lembro do gosto, da proximidade, mas não aconteceu!
Ele estava lá, eu estava lá, eu senti e eu me lembro, mas eu sei que nada daquilo aconteceu.
Cenas e cenas; umas verdade, outras mentira.

O que aconteceu:

Eu desci a escada.
Ele disse alguma coisa.
Ele precisava ir.
Eu não queria que ele fosse.
Ele se despediu com um abraço.
Eu o abrecei.
E ele me abraçou devolta.
E eu o abracei.
Eu não me lembro se fechei os olhos, devo ter fechado, porque tudo que existia ao nosso redor sumiu.
Nós ficamos abraçados por um tempo incalculável, inestimavel, inexplicavel...
Eu percebi que eu precisava deixá-lo ir.
E parecia que ele não se lembrava disso.
Nós fomos nos deixando devagar.
Eu abri meus olhos, e não pude ver muita coisa
Ele mais uma vez disse que tinha que ir.
Eu me calei.
Ele começou a ir embora.
Eu me lembrei do trato que havia feito comigo mesma.
Eu precisava falar.
Ele já estava a uns 5 metros de mim quando eu o chamei.
Andei um pouco na direção dele, e pedi que viesse.
Eu disse que precisava dizer.
Ele perguntou o que era.
Eu respirei fundo, abri a minha boca... inutil.
Vacilei... Varias vezes.
Diversas tentativas, todas em vão.
Eu tentava dizer, mas não saia uma palavra sequer do que eu gostaria de dizer.
Ele parou olhando para mim, esperando.
Eu olhei nos olhos dele...
Eu me vi lá.
Me vi dizendo o que eu tanto queria dizer.
Eu vi uma vida lá dentro.
Uma vida que eu sempre quis ter.
Uma vida perto dele.
Uma vida nele.
Eu vi um mundo.
Eu quis ficar lá, mas eu precisava dizer.
Ele disse que tudo bem, que tem sempre um amanhã.
Ele sabia o que eu queria dizer.
E eu sabia disso, mas eu queria que ele me ouvisse dizer.
Ele se foi.
E eu fiquei.

Isso foram fatos.
Mas eu entrei em minha casa com o gosto daquelas palavras ainda em minha boca, como se eu as tivesse dito não só uma vez, mas muitas e muitas vezes. E não foi verdade.
Eu sentia aquilo dos sonhos, mas aquilo não aconteceu, e eu sentia.... e sentia.


Hoje foi meu aniversário.
E eu fiz um pedido quando parti o bolo.
E ele se realizou.
E quer saber de uma coisa?
Quando você pede ou deseja algo, isto não significa que vai acontecer.
Isto significa que você realmente quer, você assumiu isso para sí mesmo, o que voce precisa fazer é lutar. Fazer o que for necessário para que seu desejo se realize.
Nada vem do nada!
Você tem que dar alguma coisa em troca, sempre.

Sabe, hoje foi um dia muito especial.
E não porque foi meu aniversário, mas porque eu nunca vou me esquecer deste dia.
Hoje eu dei um passo rumo aos meus sonhos.
Hoje eu dei um passo rumo à minha vida.
Hoje eu segui meu caminho confiante de que eu vou ser feliz.
Hoje eu fui feliz.
Hoje eu aproveitei o meu dia como me foi possivel!
Se hoje não colhi um fruto que eu realmente queria, foi porque ele ainda não estava maduro.
Mais um pouquinho, paciencia, e o fruto estará pronto para ser colhido!
E eu vou poder enfim desfrutar do sabor que ele há de ter.
Eu vou poder comer do fruto que um dia eu plantei.


Minhas lembranças não condizem com o passado racional, mas talvez isto não signifique que não tenham acontecido. Talvez elas tenham de fato acontecido, mas em mim, porque eu as senti.
E eu me lembro!



Postscriptum: Um dia eu aprendo a dizer tudo em duas linhas. Mas enquanto esse dia não chega, eu vou provando o sabor de cada nova linha. E assim chegando ao pico da minha inspiração onde eu e minhas obras somos como irmãs, pois em nossas veias correm palavras, todas nós temos alma, uma alma, a minha alma. É assim que eu escrevo; Não tenho palavras prontas na tinta, elas circulam em meu sangue me fazendo sentir palavras, eu as escrevo. E no dia seguinte nem acredito que elas foram de minha autoria. E a escrita está no meu sangue e na minha alma, bem como há um pouco de minha alma e de meu sangue em minha escrita. Você pode senti-los?


Kuromi Markgraf

Prezado(a) Sr(a). Leitor(a)

Aos que não amam, dou-lhes um conselho... Não ame, nunca, jamais.
O amor causa feridas que o tempo é incapaz de sicatrizar. E a dor que se sente é tão ruim que muitas vezes prefere-se a morte.
O amor machuca, nos fere, e nos faz chorar. Nos persegue noite e dia, dentro de nós mesmos, nos fazendo pensar, lembrar, e muitas vezes sonhar, o que nos machuca mais ainda.
E aos infelizes que amam, um outro conselho. Já que cometeste o maior dos erros, que já sangras feridas que não se sicatrizarão, o que há mais a se perder? A vida, talvez. Mas esta já se perde apartir do segundo em que se ama, deste tua vida a algo, que por sua vez a desprezou como se não houvesse significância. Por tanto, conclui-se que não vives, apenas sobrevive na tua inútil existência.
Pois bem, aos que apenas existem, já que amam, diga-o. Não cale uma palavra sequer. Palavras não-ditas ficam presas dentro de ti, e o ferirão ainda mais. Fazendo-te sangrar por dentro. Fazendo-te morrer todos os dias, e lamentar-te durante a noite. Temerás os sonhos e a realidade, terá sono e não conseguirás durmir, respirarás e não sentirás o ar penetrando em teus pulmões. Tudo que fora antes tão claro, há de se tornar escuro. Todo o teu presente não passará de insistentes lembranças do passado. Teu amor desprezado, será um triste sentimento na dificil sobrevivência de tua inútil existência.
Tua vida não será mais tua, e ainda sim estarás disposto a dá-la a um certo alguém. Não teras forças para levantar-te, mas terás forças para carregar a cruz do ser amado. Não verás na vida motivo para sorrir, e dirás ao que ama que não têm motivos para chorar.
Dirás estar feliz à todos que estiverem por perto, mas será que irás aguentar mentir por muito tempo? Certamente não! E sei o que digo.
Aos infelizes que amam, digo pois então, não omitas o que veras sentes, não minta sobre o que teu coração deixa tão claro.
Não adianta lutar contra o que não se pode ver. Não adianta dizer que não. Embora cada dia que passe, o amor mate teu coração, ainda sim continuarás amando.
O que se pode fazer?
Não tenhas medo de amar, não tenhas medo de que não gostem do que sentes. Não tenhas medo do que se encontra dentro de ti. Não escondas de ti própio, encare teus sentimentos com garra, suporte a pior das dores. Mas digas que amaste, que amas, e que hás de amar. Aconteça o que acontecer, nunca é tarde demais para dizer que a vida toda a ti amei!


Kuromi Markgraf

Diálogo com a Srª Dona Morte

Era uma noite como essas outras, em que o céu se parece com um papel camursa azul bem escuro, com pequenas lantejoulas esparramadas. E a Lua, uma circunferência exata e prateada. Algumas nuvens passavam de um lado para o outro naquele céu salpicado de pontinhos brilhantes. O céu estava lindo!

Em meu quarto se encontrava um vazio. Apenas eu e uma Luz cinérea, que dançava uma valsa romântica com o Silêncio, e como dançavam bem. Uma corrente de ar entrou pela janela, fazendo o Silêncio esmaecer-se, a Luz estremeceu. Eles se entreolhavam, um nos olhos do outro, era possivel ver o que eles pensavam. Bem ali diante de mim, uma cena que jamais pensei que fosse ver: O Silêncio deu um beijo nos lábios gélidos da Luz cinérea, e então tornaram-se um só. Não havia diferença entra a luz ou o silêncio.

Eu pensava em tantas coisas, e ao mesmo tempo não pensava em coisa alguma. Meus olhos percorriam o quarto, de um lado para o outro procurando alguém para conversar. Nada. O tédio pairava sobre minha cabeça, e eu me perdia na escuridão daquele comodo frio.

Não sei em que momento entrou e nem quanto tempo eu demorei para percebê-la, mas quando dei por mim ela já estava lá; uma sombra num dos cantos do quarto. Estava proxima à mim, tão prómixa que eu sentia a sua respiração na minha nuca, e ainda sim longe o bastante para que eu não ousase tocá-la. Ela já estava ali há tanto tempo que nem dava mais tempo para eu me assustar, fiz a unica coisa que poderia ter feito naquele momento.

"Quem é você?", perguntei me encolhendo na cama.

"Quem você gostaria que eu fosse?", respondeu com uma voz amarga e macia.

"Eu não sei. E por acaso você é quem eu gostaria que fosse?", olhava atenta tentando reconhecer qualquer traço de sua silhueta misteriosa.

"Acho que não! Mas prefiro não dizer quem eu sou logo no começo da conversa, isto poderia prejudicar o resto da noite."

"Tudo bem... Eu acho!"

"Você está sempre aqui?"

"Creio que sim. Este é meu quarto!"

"Oh, entendo! Mas por que está aqui, sozinha, e no escuro?"

"Acho que penso melhor sobre minha vida assim..."

"Vida!", disse com uma voz de quem vai chorar segundos após, "E você precisa pensar sobre a sua... Vida?", não chorou.

"Oh, sim! Eu... fiz algo terrível! Eu joguei minha vida por água abaixo."

"Ora, o que você fez de tão horrível assim?"

"Eu me vinguei... inutilmente. Eu..."

"Você traiu a pessoa de quem gosta por um sentimento idiota de vingança, que a fez cometer tal ato embora
não fosse isso que quisesse de coração."

"Eeh... Como sabe?"

"Eu apenas sei, dá para ver em você, em seus olhos."

"Em meus olhos?!"

"Eles não brilham, são foscos. Não brilham nem com o reflexo da luz da Lua."

"...foi o que ele disse.", sussurei, "Ele não via mais o brilho em meus olhos, pois eles não estão aqui... em mim."

"Sua culpa o ofuscou, sua tristeza os inunda, e eles já não vêem a... Vida como antes."

"Não mesmo! Eu sinto falta dele... O que foi que eu fiz com a minha vida meu Deus?", cai aos prantos.

"Eu não sou Deus...", disse dando um passo à frente, "Mas posso lhe responder esse pergunta."

"Hmmm...", olhei para onde deveria ser o rosto da sombra.

"Não olhe!", eu já tinha olhado e não vi nada, "Apenas escute!"
A sombra veio na minha direção, sentou-se do meu lado e colocou a mão sobre o meu ombro.

"Você errou, sim! Mas você tem esta tendência ao erro, vocês humanos não sabem como viver, só aprendem a andar com suas quedas.", continuou a sombra.

"Mas o que eu devo fazer agora? Ele não quer me perdoar!"

"Você se arrepende do fez, não?"

"Muito, muitissimo!"

"Pois bem, você já deu o primeiro passo para o perdão. E a agora você tem que aparentar mudança. Você tem que ser o que aprendeu ser com o seu erro, e não errar denovo."

"Mas ele disse que..."

"Não importa o que ele disse, apenas faça o que é certo! Se ele gosta de você, ele vai saber reconhecer seu arrependimento."

"Por que quer tanto me ajudar? Ainda não me disse: Quem é você?"

"Acho que já lhe ajudei bastante por hoje!", e ela se levantou do meu lado.

"Espere, me diga: Quem é você?"

"Quer mesmo saber, garotinha!"

"Eu quero!"

"Eu sou o fim da sua vida..."

"Desculpe-me, mas eu não..."

"Morte! Meu nome é Morte... Dona Morte.", eu faleceria de medo ali mesmo mas mais uma vez era tarde
demais para qualquer tipo de surpresa ou susto.

"Eu... morri? Vou morrer...?"

"Não, você não morreu garotinha. E sim, você vai morrer, quando chegar a hora."

"Eu estou sonhando?", perguntei a mim mesma.

"Se você não sabe, como eu saberia? Eu estou aqui diante de você, eu lhe escuto e lhe falo, bem como você me escuta e me fala. Seria eu mesmo criação da sua imaginação solitária?", ela respondeu por mim.

"Mas eu pensei que a senhora fosse muito ocupada, não deveria estar cuidando das almas que abandonam os corpos por todo esse mundo? Por que perde seu tempo comigo, e justo comigo?"

"Não, minha obrigação é a sua alma, querida, eu sou a sua Morte. E creio que eu não tenha perdido meu tempo com você, não quero carregar uma alma triste quando chegar a sua hora, as almas tristes são mais pesadas e escorregadias como lágrimas. Alguém precisava vir aqui, e o fiz eu mesma."

"Oh! Quer dizer que cada pessoa tem uma morte para sí?"

"Pois é claro! Ninguém morre de uma mesma maneira em um mesmo lugar, tão pouco num mesmo tempo. Cada pessoa tem uma morte para sí. E a Morte é onipresente. Eu estou aqui com você, sentiando o cheiro adocicado de sua alma, e sou a sua morte. Mas ao mesmo tempo estou em um outro lugar do mundo recolhendo a alma de um senhor que sofrera um infarto. E estou também pegando cuidadosamente em meu colo a alma de um garotinho que morreu por insuficiancia respiratória. E seguro firme a alma dolorosa de um jovem que se suicidou por desgosto pela vida. Estou aqui e em todo lugar. Sua alma não precisa de mim, mas você sim. Ou queria entrar em depressão outra vez?"

"Mas não entendo, por que você veio até aqui?"

"Ora, você me chamou!"

"Eu... a chamei?!"

"Sim, quando disse que seria bem melhor para todos se a Morte lhe levasse de uma vez. Você chamou por mim, e você quis me ver aqui. Você poderia ter-me confundido com a escuridão, mas preferiu saber quem sou eu."

"Dona Morte, você sabe quem sou eu?"

"Eu não vejo você! Eu vejo sua alma doente e seus olhos foscos, esta é você para mim."

"E a senhora é uma mancha escura no meu quarto, não vejo seu rosto!"

"Nem deve!"

"Por que não deveria?"

"Na verdade você não pode, mas uma dia poderá, e tão nitida e claramente."

"Quer dizer, no dia de minha morte?"

"Exato!"

"Mas diga-me, se é que posso saber, como é o seu rosto?"

"Não posso explicar-lhe como é o meu rosto, não sei fazê-lo. Mas sabe, ele bem que se parece com a imagem
que vê em seu espelho."

Quando eu me dei conta, ela já tinha ido. E da mesma forma como chegou, parecia que já tinha ido há tanto tempo, mas eu ainda ouvia a sua voz surrando aos meus ouvidos e sentia sua respiração pesada sobre o meu pescoço.
O Escuro. E o Silêncio ainda beijava os lábios gélidos da Luz cinérea, e ao mesmo tempo dançavam nobremente diante dos meu olhos.
As estrelas cintilavam no céu e a Lua brilhava alta e alva.
Eu estava sozinha denovo em meu quarto, mas desta vez com a certeza de que me reerguiria das cinzas, meus olhos brilhariam tanto quanto as constelações e a minha alma teria o fulgor do Sol.
A Morte me visitou naquela noite, e me trouxe devolta à Vida.



Postscriptum: Para você que conseguiu chegar até aqui os meus parabéns, e um cordial abraço em agradecimento pela consideração!


Kuromi Markgraf

Postscriptum

Os textos publicados aqui são alguns dos que tenho publicado em meu blog moderado. E bem, cheguei à "triste" conclusão que os meus textos são todos bem "grandinhos". Antes de postá-los aqui, gostaria de saber se há alma viva interessada em ler. Pois de que adiantaria eu postar algo que será lido apenas as três primeiras linhas?
Obviamente não pretendo postar aqui todos os posts do Blog moderado, mesmo porque se assim fosse feito não teria motivos para tê-lo. É que talvez o posts do outro blog tenham ficado muito pessoais, consequentemente sentimentais e chatinhos. Mas tem os meus favoritos, que gostaria de publicar aqui.
Eu não sei, mas deve ser defeito, eu não consigo escrever coisas pequenas. Eu me empolgo, sempre!
Um dos meus favoritos viria a ser "Diálogo com a Srª Dona Morte", que é modestia à parte muito bom(pelo menos eu adoro ele), porém assumo que é bem grande. Mas talvez por ser um diálogo não seja tão dificil de ser lido!
Grata pela atenção!


Kuromi Markgraf

sábado, 26 de janeiro de 2008

Personalidade

Apenas um momento e tudo se perde em meio ao desconhecido, apenas um segundo para deixar de sobreviver a pão e água, dois segundos ou mais e a vida passa a ser um paraíso no inferno mundano.
Eu perco meu tempo com delícias inuteis, com um pouco de adrenalina injetada na veia, com lugares e pessoas que não fariam o mesmo por mim. Eu vou até a porta da Felicidade e não aperto a campainha, apenas paro e olho aquela deslumbrante porta fechada. Até o momento em que acabam comigo; "Acho que não tem ninguém em casa, está tudo fechado!", então vou-me embora, não me querem ali.
Eu deixo os meus pés à mercê do caminho, jogo minha cabeça no céu mais inconsciente, minhas mãos no bolso, e meu tempo no chão. Eu largo os meus rastos, e não volto para recolher nada. Deixo a minha marca e sigo a minha estrada.
Muito tempo é pouco, e pouco tempo é muito; só sentindo para entender.

Planos, eu saio sem eles e volto repleta deles;
Coragem, eu preciso tê-la pulsando em meu sangue;
Sonhos, sou feita deles;
Amigos, não confio em todos mas zelo por estes;
Vida, uma dádiva de cada novo amanhecer;
Morte, a certeza do caminho;
Ontem, deposito dos restos mortais de meus feitos passados;
Hoje, tempo de colher e semear, tempo de viver e tempo de fazer;
Amanhã, terreno incerto demais para o planos, apenas uma forma de chamar o 'Hoje' antes de ele chegar;
Noite, tempo de descanço e de sonhos;
Dia, tempo de guerra e realizações;
Tempo, corrente a qual se corre contra;
Felicidade, resumi-se à presença, proximidade(qnto mais perto mais feliz);
Tristeza, resumi-se à solidão, distância;
Começo, ponto perdido no tempo passado, que no qual meu primeiro passo foi fincado ao chão;
Fim, ponto desconhecido no tempo, que do qual nada sei;
Amor, nada sei, apenas ideias e teorias não conclusas;
Odio, desconheço-o;
Vingança, o gosto é um dos mais agradaveis, porém os conseqüências são as mais ruins;
Agora, o tempo transpassando pelos meus dedos, pelo meus corpo, pelas minhas viceras... o Agora foi, o Agora está e o Agora Será!

Não se surpreendam com os meus atos, nada faço que seja digno de surpresas. Todos nós estamos sujeitos a mudanças.
O que eu sou hoje, certamente, serei bem melhor amanhã!Pois hoje é tempo de Personalidade!
Personalidade, é ser você mesmo como nunca ousou ser!


Kuromi Markgraf

Garotinha Viciada

O que foi que te contaram desta vez?
O que foi que inventaram para nos afastar assim?
O que foi que eu disse para que você não quisesse mais me ouvir?
E por que insiste em me torturar com esta sua mania de fazer-de-conta que eu não existo e que nem ligo para quantas vezes eu ouço sua voz antes de ir dormir?


Você está me escutando, querida?
É bom que me escute pois eu vou contar uma história para você.

E essa história começa no pátio de uma escola. Neste pátio havia uma garota viciada, que acreditava em contos de fadas. Ela estava sempre lá, no pátio da escola, assim como eu sempre estive. Ela não me percebia, assim como eu não a via passar diante de mim. Nossos diálogos eram curtos, ela mal dizia uma palavra.
Eu não sei explicar como aconteceu, eu apenas sei que ela apareceu de uma forma diferente para mim, e a cada dia um pouco mais diferente que no dia anterior.
Aquela garotinha viciada em sua baixa auto-estima de repente me encarou nos olhos, e ela temeu continuar, por medo de apaixonar-se. Ela já havia se decepcionado demais.
O patio da escola ficava tão vazio sem ela, seu vicio a levava aos cantos menos habitados do colegio, ela não estava bem e se escondia de todos para não ser percebida. Eu a encontrava sozinha, sabia que precisava de ajuda, ela acabava comigo dizendo coisas sobre o seu imenso amor por um idiota. Ela queria chorar, mas engulia suas lágrimas para não parecer patética. E eu a queria tanto!
Ela me queria apenas para não ver o tempo passando por entre seu peito, ela não queria esquecer aquele amor que ela julgava ser tão puro e verdadeiro. Eu a abracei, e disse que alguém acabaria vendo, ela se rendeu.
Eu a fiz ver o quanto ela estava errada por se rebaixar daquela maneira só porque um cara não quer nada com ela. Eu a fiz enchergar a vida como ela é, eu a fiz entender que o importante mesmo não são os planos traçados em uma folha de papel, e sim os feitos do hoje. ela mudou, ou pelo menos foi o que eu pensei ter acontecido. Pensei que estivessemos juntos mesmo, mas ela acabou com a linda imagem que eu fiz dela.
Um dia eu senti uma coisa estranha, como se nada estivesse bem, e de fato não estava. Ela olhou nos meus olhos, onde estava o brilho que eles sempre tinham quando ela me via? Eu a abracei, e senti nela uma coisa ruim, aquele foi um abraço morto.
Então ela resolveu me contar a verdade, ela havia me enganado até aquele momento, por todo aquele meu tempo perdido ela havia me enganado. Ela dizia coisas fantasticas e me prometia reinos em seu mundinho sublime e esnobe. Ela me fez ver coisas que não existiam, ela me fez odiá-la.
Mas isso era só uma parte de sua evolução, ela precisava saber que a vida não é feita de doces como a casinha da bruxa malvada. Tão pouco é encontrada erguida sobre o chão.
Espero que ela tenha aprendido sua lição, pois se ela passou e sentiu tudo o que diz, não seria bom ter de fazê-lo outra vez.
Eu gosto dela, e ela pensa que me ama e tenta dizer, mas nunca consegue. Pelo menos eu vejo sinceridade naqueles olhinhos agora tão brilhantes como nunca. E essa garotinha viciada está escrevendo sua história dia-a-dia, e não fazendo planos para um futuro distante.
Eu não sei o fim da história que ela conta, sei apenas que quero muito estar nele.
Fim.

E agora garotinha viciada?
Me diz, me abrace do jeito que você gosta de fazer, e me diz tudo o que te contaram desta vez.
Me conta todas as mentiras que lhe falaram, olha nos meus olhos e fale todas as palavras que você ouviu hoje.
Não duvide dos meus sentimentos garotinha, prefere acreditar no que dizem a acreditar no que os meus olhos deixam claro?
Se duvida, olhe neles.
Como você faz sempre, daquele jeito que dá pra sentir você entrando dentro deles. Olhe nos meus olhos e tente dizer que me ama. Eu sei que você não vai conseguir, mas quando você tenta fazê-lo, seus olhos se transbordam do que você deseja falar, e eu até escuto você sussurrando: Eu amo você, garoto!


Kuromi Markgraf

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

À Raça "Superior"

E pensar que este é o meu último dia de vida. Não sei se isso é bom ou se é ruim. Poderia ser bom pois eu não terei de comer aquelas rações horríveis, nem dormir neste chão duro, tão pouco terei de ouvir mais uma vez aquele discurso chato de que estamos todos aqui a fim de “servir a humanidade”. Outrora poderia ser ruim pelo fato de que nunca mais verei a luz ainda que escassa do Sol, e também não verei outra vez o número 5694, o macho humano da cela 598.Eu não fiz nada do que gostaria de ter feito. Não conheci o mundo lá fora, e não me refiro a todo o mundo e sim a apenas o que há além destes enormes muros brancos que nos cercam. Eu não sei o que significa horizonte, tão pouco liberdade.
Estou aqui desde que me lembro. Assim como as outras crianças, eu fui “criada artificialmente em laboratório”. Isto é, não tive pai ou mãe, quem me deu a luz foi uma dessas mulheres que aceitam uma boa quantia em dinheiro por cada um dos nove meses para carregar no ventre um feto que não lhe pertence. Nasci com sete meses e meio, e estéril. Não conheço o colo materno.
Quase se livraram de mim, mas minha carne ainda tinha valor, dispensar isso tão fácil assim seria um convite ao prejuízo. Porém sei que a minha esterilidade obrigou outras fêmeas humanas a terem o dobro de crianças. Pois Eles pensam grande e longe, as barrigas de aluguel não seriam o suficiente para suprir a necessidade de lucro que corre em seu sangue, por isso resolveram usar também o “nosso” ventre como fábrica de dinheiro(não o meu pois sou estéril, me refiro a nós fêmeas humanas).
Eu sinto muito por aquelas que têm a árdua tarefa de carregar no ventre as crianças que eu não posso carregar, digo árdua porque é assim que é. Ouvi dizer que lá fora a maternidade é uma coisa maravilhosa, diferente do que vem a ser aqui dentro, e por isso eu ainda acho que minha esterilidade me trouxe uma dor a menos, feliz ou infelizmente.
Eu não sei bem como é feita a fecundação aqui, pois nunca foi preciso que fizesse, sei apenas que tudo aqui é feito artificialmente em laboratório. E sei que elas, as fêmeas humanas, levam em seu ventre um óvulo fecundado sabe-se lá por que número. São nove meses, nove longos meses, e assim que a criança nasce já recebe o seu número, e a fêmea humana o amamenta apenas uma vez, então Eles o levam embora. Retiram o leite dela para amamentar o pequeno ser do outro lado desta “fábrica de infelizes”, todos os dias por longos e longos meses. Dizem que amamentar um recém nascido faz com que a fêmea humana crie laços para com ele. E os laços aqui são proibidos.
É por isso que somos todos números, e eu gostaria tanto de saber qual nome teria se tivesse um, mas Eles me chama apenas pelo meu número. E tem tantas coisas que eu gostaria de saber ao meu respeito:

Gostaria de saber qual é a cor dos meus olhos. Seria azul como o pequeno céu que parece tão grande do lado de fora; castanhos assim como os olhos da maioria dEles, que me fitam anotando coisas em suas pranchetas trazendo o resto do rosto escondido por uma máscara branca; verdes como as folhas da única árvore que eu conheço; acinzentados como a chuva que cai lá fora. Ninguém nunca me disse qual é a cor dos meus olhos, e eu nunca os vi.

Também nunca vi o meu rosto, e gostaria de saber como ele vem a ser. Certo, eu já vi algumas poucas vezes a sua imagem refletida, se é que aquilo poderia ser chamado de imagem. Uma dessas poucas vezes foi quando me colocaram dentro de um “tubo de ensaio”. Na verdade era uma espécie de aquário bem maior que o comum, mas me colocaram lá com o intuito de fazer testes para cosméticos e sabe-se lá mais o que, portanto continuo achando que aquilo era realmente um tubo de ensaio.
O que eu vi foi apenas um contorno manchado do costumam chamar de rosto, mas não estava nenhum pouco parecido com um. Desmaiei poucos segundos depois de usarem o meu organismo como cobaia para o luxo egoísta da raça superior que vive lá fora. Dizem que eles são bem mais altivos e inteligentes do que nós, que são mais evoluídos.
Depois que Eles usaram não só o meu corpo, mas também os de diversos outros números para teste, uma mulher disse que nós seriamos inúteis para o consumo, desprezaram-na. E eu bem que concordava com ela, meu corpo estava repleto de manchas vermelhas que ardiam tanto quanto o contato com o fogo, meus pelos caíram, tive dores de cabeça freqüentes, e nada do que comia ficava muito tempo em meu estomago. Não acho que minha carne fosse apropriada para o consumo.
Aquela mulher ficou nos observando por detrás de sua mascara branca, que me permitiu ver nos olhos dela uma coisa que nunca havia visto nos olhos de outra pessoa. Ela ficou observando-nos com aquela mesma feição durante horas, enquanto outros tentavam preparar um antídoto ou fosse o que fosse para aliviar nossas dores e tentar fazer-nos ser como éramos. Depois daquele dia nunca mais vi aquela mulher outra vez.
Conseguiram fazer um remédio para tentar restaurar ou aliviar nossas dores. Foi a única vez que fui tida como cobaia, depois disto criaram um departamento apenas para isto, ou seja, assim como aqui nós somos criados para satisfazer a fome, outros seriam criados para satisfazerem os luxos e as vaidades, ambos criados para servirem a raça superior que vive do lado de fora.

Outra coisa que gostaria de saber sobre mim é como viria a ser o meu cabelo, se eu tivesse. Eu até o tenho, porém o raspam frequentemente, dizem também que cabelo dá muito trabalho e requer tempo e cuidado. É e sempre foi assim. Nunca importa o que nós sentimos, queremos ou pensamos. Eu nunca vou me conhecer de verdade, pois me conhecendo eu saberia mais sobre mim do que Eles, e assim ficariam em desvantagem, pois sentimentos nunca importam(como Eles mesmo costumam dizer) e por isso Eles sabem tudo sobre mim.

Tudo o que para mim é lindo e necessário, para Eles é simples e inútil. Eu nunca irei olhar o meu rosto numa superfície espelhada que me dê uma imagem fiel do que eu sou, nunca olharei nos meus olhos e ajeitarei os meus cabelos atrás da orelha. Nunca vou sentir a luz do Sol toda e intensamente, nem sentirei o gosto da água da chuva e nunca saber se realmente há milhares de estrelas no céu(eu consigo contar apenas treze). Não conheço o perfume das flores nem o gosto das frutas, e nem vou. Não sei qual a diferença entre a tristeza e a felicidade(para mim elas sempre andam juntas e de mãos dadas e a primeira está sempre em evidência).
Parece que tudo isto não passa de um pesadelo, do qual eu irei acordar a qualquer momento em uma cama quente e confortável, com meu marido e meu filho sorrindo e me esperando para tomar o café-da-manhã, farto em frutas e cereais. Mas acho que o meu pesadelo acabou se tornando a vida real.
E a vida real diz-se por um pequeno cômodo tido por cela. Diz-se por um corredor farto de outras tantas celas, que são para nós salas de espera do dito “destino”. De um lado números pares e do outro, ímpares. Esta é a minha vida, é a nossa vida.
As horas passam e a angustia circula em minhas veias, degenera minhas entranhas e degusta arduamente a minha carne. O tempo corre em contagem regressiva de mãos dadas com a vida, indo de encontro com a morte. Todos os cuidados que foram tomados para que os laços não existissem foram em vão. Os laços envolvem a minha alma que exala um perfume doce e já mórbido, murmurando palavras de “adeus”. Aceia por olhares incontidos, e pelo silêncio respeitado.
Os laços me cercam dia e noite, e me levam em sonhos para perto de um sentimento desconhecido, que tem sido a minha droga, e o meu motivo para abrir os olhos sob a escassa luz solar. Eu não sei nada sobre ele, sei apenas que o seu número é 5694. Espero vê-lo amanhã, antes do abate. Antes que eu me torne um vil produto comercial, se é que já não sou.

A quem a minha carne há de alimentar?

O alimento é algo essencial para a vida, e acho tão estranho nós termos de morrer por isso, sem nem ter escolha. Assim como todos os que habitam a Terra nascemos sabendo que vamos morrer um dia, pois a vida é coisa frágil. Mas diferente de todos, nós nascemos destinados à morte, entregue desde os primeiros dias de vida em seus braços frios. O que podemos fazer, somos uma reles raça inferior.Amanhã vamos todos para o abate, eu, o número 5694 e outros tanto números. Será o fim de nossa missão em vida. Depois os nossos cadáveres serão bem servidos à mesa de diversas famílias no mundo todo.

E quem há de encontrar este meu desabafo?

De fato eu não faço a mínima idéia! A única coisa que eu sei é que eu gostaria de tê-lo conhecido. Eu lhe perguntaria o seu nome, e você me diria o seu nome. E eu sorriria e falaria com o pesar sobre os meus ombros:
“Muito prazer em conhecê-lo! Eu lhe diria também o meu nome se eu tivesse um, mas não o tenho. Porém pode me chamar assim como todos os outros, pelo meu número de morte. Pode me chamar de 5683.”



Não sei que dia é hoje, nunca soube.

Ass.: nº5683; cela 549; abate 8.960-013.



"Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo sucede aos animais; a mesma cousa lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, por que todos são vaidade.
Todos vão para um lugar: todos são pó, e todos ao pó tornarão."
Eclesiastes 3:19-20.



Kuromi Markgraf

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Não me deixe...

Não me deixe viver minha vida sozinha como se não lhe devesse nada.
Não me deixe pensando em como seria bom tê-lo comigo, ao invéz de acolher-me em sua presença.
Não me deixe pensar que amanhã será melhor, sendo que poderia fazer o melhor hoje.
Não me deixe sonhar com as rosas, se eu as posso ter em verdade.
Não me deixe amá-lo sozinha, o amor para ser inteiro tem de ser recíproco.
Não me deixe pensar que é o fim antes que se feche o livro.
Não me deixe dormir abraçada com meu urso de pelúcia, prefiro dormir em seus braços.
Não me deixe apoiar nas paredes, segure minha mão e me ajude a não cair.
Não me deixe chorar, olhe nos meus olhos, enxugue minhas lagrimas e diga-me que posso sorrir.
Não me deixe desviar os olhos de você, segure-me pelo queixo, e coloque o meu rosto bem diante do seu, de forma que eu possa apreciar o brilho que há em seus olhos.
Não me deixe olha o horizonte querendo ir além dele, sendo que apenas gostaria que estivesse comigo, em qualquer lugar.
Não me deixe ficar sozinha no corredor, me abrace e diga que está comigo.
Não me deixe sentir a chuva molhando meu rosto, sendo que poderia estar abrigada em você.
Não me deixe esperar demais do futuro, o que nos cabe é o presente, e eu sempre espero por sua pessoa.
Não me deixe querer ser o que não sou, pois quando você está comigo eu sou apenas eu mesma.
Não me deixe sentir o vento sem segurar a sua mão.
Não me deixe sentar a sombra e esperar que um sonho se realize, me diga o quão bom seria se eu fosse atrás dele.
Tudo isso é para lhe pedir apenas uma coisa:

Não me deixe, nunca!




Kuromi Markgraf