Minha palavras são coisas tão utópicas e incompreensíveis. Perigosas.
Tenho medo de assustá-los com a minha loucura aparente e latente. Com base em meus vicios esmaecidos e inuteis.
Tenho medo de dizer tudo o que eu penso e tudo o que eu vejo e acabar por assim estar, só e solitária outra vez. Apenas escrevendo coisas para mim, e para os meus amigos invisiveis.
Tenho medo de dizer tudo sobre mim e amedrontar o mundo lá fora, medo de ser um mutante imbecil.
Medo de ser jogada em uma gaveta e deixada lá, para todo o meu sempre.
Tenho medo da sua leitura, e da sua interpretação, medo do seu entendimento. Eu tenho medo da sua aptidão em ler as entrelinhas.Minhas escrituras
Tenho medo de que as minhas palavras construam um mundo morbido e sonhador ao seu redor, e então você prefira ir embora para a casa.
Tenho medo de escrever sua vida, e mais ainda de escrever a minha vida.
Peças de um quebra-cabeça, palavras de um livro, o significado da escrita.
Minha mente me induz a dizer coisas completamente insanas, coisas de um mundo diferente do que chamamos de Terra. Minha imaginação constroi imagens apartir de palavras jogadas ao vento, jogadas à brisa ao relento.
Meus dedos, minhas mãos, meus pulsos, meu sangue, meu coração... Apenas palavras!
Um aperto do lado esquerdo do peito, um arrepio transgênico como se minha alma de súbito abandonasse a minha carne às aves de rapina. O ar pesado como se a terra pesasse sobre o meu peito, me esmagando sob o solo deste mundo, sob os pés daqueles que se dizem vivos como eu.
Morte e Vida!
Abrindo os olhos e vendo que na verdade tudo aquilo foi apenas um momento de satisfação. O exato segundo em que cheguei ao ápice de minha realizações, ou ainda ao cume da presença. Apenas um sórdido olhar repentino sob meus atos incredulos da realização dos sonhos mais estimados. Um vínculo com um olhar concorrente num mundo de pessoas com caminhos paralelos. A cadeia da liberdade, que nos prende ao livre arbitrio e nos fixa às escolhas únicas. Suspiros incontidos refletidos em sentimentos desconhecidos que nunca foram assumidos diante ao brilhos das estrelas. Apenas um segundo ou dois, e o tempo perde todo o seu significado, basta o menor contato das faces para que um segundo perca a finutude fútil de seu tempo insignificante diante a tantas outras coisas na vida. Um segundo que dura mais que almas com o fulgor de estrelas jovens e dintantes da morte terráquea. Uma palavra, e o mundo se desmaterializa atrás da cena principal. Duas palavras e nem importa se existe de fato um Universo infito lá fora. Três palavras e eu cumpro a minha missão, e então nada mais tem valor. As unicas coisas que existem são as palavras deitadas em seu ombro direito, e olhares eternamente concorrentes entre nós que nunca nos separam, apenas nos unem.
Três palavras exatas!
Quatro palavras e minha missão falhou. Encarei o brilho das estrelas e a intutilidade do mundo, manti minha boca entreaberta e tomei para mim o fôlego necessário, e hesitei.
Quatro palavras, incapacidade!
"Eu vejo gente morta!"
Kuromi Markgraf
3 comentários:
Só devemos temer o próprio Medo...
Sonhamos com mundos desconhecidos porque nosso próprio mundo não é mais o reflexo de nossa própria natureza interna. É algo estéril e artificial, fabricado simulacros de humanos que se auto-proclamaram senhores do mundo.
A loucura é justamente isso: um registro inconsciente de nossa necessidade de evasão da dura rigidez da realidade, que tão paradoxalemente irreal em sua constituição.
Renegar o mundo e adentrar nosso próprio Universo pode ser, de fato, uma experiência devastadora... Muitos se afastarão, não há dúvidas.
Mas, assim como a Caixa de Pandora, restará ainda a Esperança - esperança de que outros como você se sentirão atraídos pela nova face que apresentaste ao mundo.
Profundo o texto... Qual a data de sua criação?
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É um concurso de contos. O prazo para envio do conto é até o fim do mês (preciso escrever algo logo :S)
Bjs... E continue escrevendo sempre!
Gostei mesmo do seu blog sabe.
Ou você é muito original, ou escreve sobre coisas que conhece muito bem...
Uma palavra varreu meus olhos quando li: Cisão.
As coisas parecem divididas, tudo ou nada, 0 - 10.
Talvez, só talvez, haja 5, meio rsrs, palavras menos exatas.
Medo, medo, medo de? medo com? medo para?
Medos são muitos mesmo.
Medo rs
Abçs,
Abel
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