sábado, 26 de janeiro de 2008

Garotinha Viciada

O que foi que te contaram desta vez?
O que foi que inventaram para nos afastar assim?
O que foi que eu disse para que você não quisesse mais me ouvir?
E por que insiste em me torturar com esta sua mania de fazer-de-conta que eu não existo e que nem ligo para quantas vezes eu ouço sua voz antes de ir dormir?


Você está me escutando, querida?
É bom que me escute pois eu vou contar uma história para você.

E essa história começa no pátio de uma escola. Neste pátio havia uma garota viciada, que acreditava em contos de fadas. Ela estava sempre lá, no pátio da escola, assim como eu sempre estive. Ela não me percebia, assim como eu não a via passar diante de mim. Nossos diálogos eram curtos, ela mal dizia uma palavra.
Eu não sei explicar como aconteceu, eu apenas sei que ela apareceu de uma forma diferente para mim, e a cada dia um pouco mais diferente que no dia anterior.
Aquela garotinha viciada em sua baixa auto-estima de repente me encarou nos olhos, e ela temeu continuar, por medo de apaixonar-se. Ela já havia se decepcionado demais.
O patio da escola ficava tão vazio sem ela, seu vicio a levava aos cantos menos habitados do colegio, ela não estava bem e se escondia de todos para não ser percebida. Eu a encontrava sozinha, sabia que precisava de ajuda, ela acabava comigo dizendo coisas sobre o seu imenso amor por um idiota. Ela queria chorar, mas engulia suas lágrimas para não parecer patética. E eu a queria tanto!
Ela me queria apenas para não ver o tempo passando por entre seu peito, ela não queria esquecer aquele amor que ela julgava ser tão puro e verdadeiro. Eu a abracei, e disse que alguém acabaria vendo, ela se rendeu.
Eu a fiz ver o quanto ela estava errada por se rebaixar daquela maneira só porque um cara não quer nada com ela. Eu a fiz enchergar a vida como ela é, eu a fiz entender que o importante mesmo não são os planos traçados em uma folha de papel, e sim os feitos do hoje. ela mudou, ou pelo menos foi o que eu pensei ter acontecido. Pensei que estivessemos juntos mesmo, mas ela acabou com a linda imagem que eu fiz dela.
Um dia eu senti uma coisa estranha, como se nada estivesse bem, e de fato não estava. Ela olhou nos meus olhos, onde estava o brilho que eles sempre tinham quando ela me via? Eu a abracei, e senti nela uma coisa ruim, aquele foi um abraço morto.
Então ela resolveu me contar a verdade, ela havia me enganado até aquele momento, por todo aquele meu tempo perdido ela havia me enganado. Ela dizia coisas fantasticas e me prometia reinos em seu mundinho sublime e esnobe. Ela me fez ver coisas que não existiam, ela me fez odiá-la.
Mas isso era só uma parte de sua evolução, ela precisava saber que a vida não é feita de doces como a casinha da bruxa malvada. Tão pouco é encontrada erguida sobre o chão.
Espero que ela tenha aprendido sua lição, pois se ela passou e sentiu tudo o que diz, não seria bom ter de fazê-lo outra vez.
Eu gosto dela, e ela pensa que me ama e tenta dizer, mas nunca consegue. Pelo menos eu vejo sinceridade naqueles olhinhos agora tão brilhantes como nunca. E essa garotinha viciada está escrevendo sua história dia-a-dia, e não fazendo planos para um futuro distante.
Eu não sei o fim da história que ela conta, sei apenas que quero muito estar nele.
Fim.

E agora garotinha viciada?
Me diz, me abrace do jeito que você gosta de fazer, e me diz tudo o que te contaram desta vez.
Me conta todas as mentiras que lhe falaram, olha nos meus olhos e fale todas as palavras que você ouviu hoje.
Não duvide dos meus sentimentos garotinha, prefere acreditar no que dizem a acreditar no que os meus olhos deixam claro?
Se duvida, olhe neles.
Como você faz sempre, daquele jeito que dá pra sentir você entrando dentro deles. Olhe nos meus olhos e tente dizer que me ama. Eu sei que você não vai conseguir, mas quando você tenta fazê-lo, seus olhos se transbordam do que você deseja falar, e eu até escuto você sussurrando: Eu amo você, garoto!


Kuromi Markgraf

6 comentários:

Rafael Almeida Teixeira disse...

Eu gostei do titulo que vc deu ao seu texto.
Dica: procura justificar seus texto, fica melhor. Seus leitores agradecem
Abraços \o/

FaT LoUiE disse...

A D O R E I

Justificando minha humilde presença: Manoela-da-comunidade-de-divulgação-de-blog.
Se eu tivesse de tpm, estaria aos prantos, não porque seu texto é depressivo, mas porque ele é lindo e profundo.De fato, deve ter sido uma das coisas mais profundas que li ^^
Parabéns, garota, que criatividade.

beeeeijo ~*

Anônimo disse...

Olá... não quero criar polêmica... te douminha palavra, é uma simples dúvida: se não devemos comer outros animais, pq Deus nos concedeu dois caninos em nossas bocas? Por quê os animais irracinais podem valer-se de outros animais para a sobrevivência e nós, seres humanos, ditos "racionais" não?
Não quero debater e, sim, entender, pois tenho contato com muitos "vegetarianos", mas nunca me conveceram diante destas questões. Beijos e não me leve a mal...

Johnny M. disse...

Gostei do texto. É autobiográfico, levemente e livremente inspirado em pessoas reais?

Anônimo disse...

Nossa... fiquei espantada com sua experiência... acho que, inevitávelmente, vou ter que parar pra pensar nisso... não havia analisado por esse lado...
Obrigada pelas explicações e apareça sempre!!!
Ahhh... indiquei sua página lá no meu blog, tudo bem?
Um beijo e bom domingo!

Osmar Mesquita disse...

cara muito bom..
so tenta da umas justidicadas...
muito bom seus textos parabens

abraços


http://bombadigital.blogspot.com/